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A minha caneta

Uma mulher e uma caneta (ou um teclado).

Uma mulher e uma caneta (ou um teclado).

A minha caneta

19
Out17

Ver até à exaustão para não esquecer

a minha caneta

Tenho visto e revisto os desabafos, os gritos de dor, de revolta de quem tudo perdeu. Depois de Pedrogão achei que não voltaria a presenciar tamanho horror. Mas enganei-me. e como eu milhares de pessoas neste país. Mas não é possível que tenhamos tão curta memória. Não é possível que possamos arrumar a culpa e a impotência numas garrafas de água, ou numas embalagens de compressas enviadas para os bombeiros. Não podemos descansar. Não podemos permitir que tudo fique igual. É nosso dever cívico fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que serão tomadas todas as decisões que impedirão nova tragédia. Não nos podemos deixar ficar com uma desculpa de mau pagador. O Estado não nos pode dizer que isto vai voltar a acontecer e nós encolhermos os ombros como se de um desígnio se tratasse. Não podemos. Não devemos. Vejo e revejo as palavras de quem tudo perdeu: o Marcelo de 19 anos que perdeu a irmã  de 3 anos e a avó, a Nádia que perdeu o filho de 5 anos... vidas desfeitas, pessoas que parecem autómatos. O meu filho mais velho perguntou-me hoje porque via essas imagens se elas me comoviam e faziam chorar. Expliquei-lhe que vejo para não esquecer. Para que me fiquem gravadas na memória e me obriguem a pedir contas, a não esquecer, a não calar.

 

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